O LIVRO DE RECEITAS DO ANARQUISTA – OU O SONHO NÃO ACABOU, SÓ VIU AS CONTAS CHEGAREM

     O que aconteceu com as minhas bandas favoritas da infância? Não os velhinhos, não os clássicos. Esses eu sei que morreram, tchau, até logo. Irão ficar num lugar especial no meu Ipod. Agora, e os caras que ainda estão vivos? Esses não têm desculpa de não fazer nada de bom!

     Na verdade eu sei o que aconteceu. As contas chegaram. Aquelas bandas como The Offspring, Green Day, todas viram as contas chegarem, empilharem na caixa de correio e dar a volta no quarteirão. Quando a fome bate, a inspiração acaba. Então os caras tiveram que parar de escrever aquelas músicas com tom anarquista com muita vontade de mudar o mundo. Uma pena que a vontade de mudar o mundo tenha acabado, mas não acaba para todos?

     Eu mal posso culpar os caras, mas é triste. No lançamento do CD American Idiot por exemplo, uma lágrima me rolou pelo rosto e foi quando eu descobri que a minha geração havia se vendido por alguns minutos na MTV. Que por um acaso quase não toca mais clipes. A MTV da minha geração também se vendeu.

     Mas porque a coisa toda não era rentável, eu me pergunto? Os anarquistas são assim TÃO desorganizados? Será? Porque a música acabou mas as causas ainda estão aí. A repressão, a injustiça, a falta de criatividade, a escrotice. Tudo que se queria mudar antes, ainda não mudou, as lutas são as mesmas. Com tanta gente que já ganhou dinheiro sendo do contra, será que os anarquistas deveriam mesmo estar fadados ao fracasso?

     A censura aos métodos anárquicos foram muitos e talvez até justificados. Mas a raiva juvenil nos fazia querer uma mudança rápida. Já! Um espelho disso era… ou ainda é, o Anarchist Cookbook, que ensinava ao jovem padawan a fazer bombas caseiras, arrombar portas, fabricar drogas, técnicas de pirotecnia, passar trotes, criação de armas improvisadas e nossa… milhares de coisas. Devo dizer, era uma obra prima. Bem ilustrada e explicada. Infelizmente nunca traduzida pro português. Ah, mas isso não era problema. Er… não que eu tenha lido! Era ilegal só possuir o livro no seu HD na América do Norte, na Europa e em vários países da Ásia.

     Vale lembrar que quem se revolta de verdade, quem quer mudar alguma coisa de verdade não são aqueles que vandalizam outras pessoas, batendo em mendigos, brigando com seus iguais e acima de tudo arrumando confusão com aqueles que não podem se defender, quando o alvo deveria ser aquele que não só pode se defender mas também usa isso como pretexto para tirar a nossa liberdade.

     Mas não adianta chorar, em homenagem, lá vai uma verdadeira obra Anarco-punk! Apresentando, The Offspring – Hand Grenades. Eu nem vou traduzir, pra ninguém falar que estou incentivando o vandalismo.

“Let’s make hand grenades
From common things around the house
Let’s make hand grenades
Listen up, we’ll show you how

ok now take an old beer bottle
fill it up with gasoline
some paint thinner for good measure
and a sprinkle of maganese
now stuff a sock into the top
with a zippo you’ll be king

Lets make hand grenades
It’s hours of fun in a little jar
Let’s make hand grenades
Try one out on your neighbors car”

Li a letra da música no Pylyrics.

     Mas é claro, se alguem quiser olhar um dicionário, eu não vou impedir. Urban Dictionary (dicionário inglês-inglês de gírias), Reference.com (inglês-inglês), Priberam (português-português) e Michaelis (inglês-português-inglês)

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5 Respostas to “O LIVRO DE RECEITAS DO ANARQUISTA – OU O SONHO NÃO ACABOU, SÓ VIU AS CONTAS CHEGAREM”

  1. whothehelliscely Says:

    Olá Ricardo,

    Obrigada pela visita, é claro que opiniões são bem-vindas. O post é, digamos, uns 80% convicção com embasamento teórico e 20% impressão passional, então é claro que existe uma brecha pra questionamento (especialmente sobre novas formas de colocar o pornô e etc).

    Sobre seu post, eu nunca ouvi muito essas bandas por um certo preconceito cormecial e aquela coisa toda, mas é bem provável que esteja errada. De qualquer forma, quero te recomendar bandas punk de 77 e do circuito anarcho peace punk que eu adoro: Crass, The Damned, The adverts, Germs, Poison Girls, Conflict.

    Abraço

  2. Givoleinesom Says:

    Pois bem.
    Não acho que o sonho anarquista acabou. Não mesmo. Só acho que ele não vende mais. Não podemos negar que Ofspring e Green Day, por exemplo, só chegaram aos nossos jovens ouvidos do começo da década de 90 e fins da década de 80, graças a produação em massa desse tipo de músicas aliada ao consumo.
    Hoje sobra um mercado mais obscuro, mais profundo do mundo punk (esse que a moça citou aí emcima). Mas ele também não bate muito bem das bolas. Rasteja, por assim dizer, sobre a memória do passado. Até mesmo porque são tantas ramificações desse estilo que nem podemos colocar dois gatos pardos na mesma gaiola.
    Acho que tem gente que ainda faz bombas caseiras. Sim. Sim. Tem mesmo. Mas o problema é ser confundidos com algum seguidor maluco do OSAMA, ou um fanático do ETA (tupo de coisa que “vende” bem mais hoje – – – Até que chegue a conta)
    aehuieahuiehae
    Abração.

  3. Ricardo Jevoux Says:

    Exato, o problema com o rebelde hoje em dia é ser tachado de terrorista da mesma forma que seria tachado de comunista a décadas atrás. E a diferença entre terorismo e rebeldia é realmente muito tênue.

    Quanto às bandas, é, ainda tem algum remanescentes do punk, mas aqueles que a Cely citou… bem, eles já estão o que? Quarentões? Cinquentões? Acho que já se aposentaram. E as novas gerações tem My Chemical Romance… argh.
    E é claro, aquelas bandas obscuras que tocam em garagens no interior de uma cidade ou em becos escuros. Que provavelmente são muito boas, mas sem nenhuma chance de serem ouvidas…

    Peraí. Essa é praticamente a descrição do meu blog. lol

  4. Givoleinesom Says:

    aheuheaiuheiuhaeiuheai
    demais!

  5. Ricardo Jevoux Says:

    Aliás, agora eu me lembrei de uma coisa. A primeira vez que eu vi um homem maquiado na minha vida foi um fã de Kiss andando em São Paulo. E provavelmente na época tinha uns fãs de Alice Cooper que andavam assim também, mas aqui em Niterói não tinha ninguém. Isso faz uns 6, 7 anos.

    Hoje em dia eu vejo um emo com lápis de olho em cada esquina daqui. Nada contra, o corpo é do cara, eu não to nem ai. Mas se pintar todo pra ouvir o que? Pitty? NXZero? pfff…

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