Posts Tagged ‘Cultura’

FIQUE CALMO! – ALGO SOBRE TUDO QUE VOCÊ APRENDEU NA ESCOLA

maio 12, 2010

Eu li no Livros e Afins mas diz lá que o texto original é do Cracatoa Simplesmente Sumiu.
Pasmem com esse texto. Sem mais.

————–

Fique calmo.

Você tem cinco anos de idade e só queremos que você sente nesta cadeira desconfortável por 5 horas.

Não começaremos por tanto tempo. No início há mais intervalos e períodos lúdicos. Vamos aumentando aos poucos.

Portanto, fique calmo.

Amanhã você também sentará nesta cadeira desconfortável por mais algum tempo.

De segunda a sexta e, às vezes, no sábado também. Embora por menos tempo.

E quando finalmente aprender a sentar nesta cadeira desconfortável por cinco horas, lá na frente estará um sujeito que falará durante as cinco horas sobre assuntos que, possivelmente, não interessam a você.

Não é culpa dele. Talvez nem ele saiba mais o que está fazendo ali.

Pois ele, antes de você, já teve a fase em que sentou-se, durante anos, em uma cadeira desconfortável durante cinco horas, ouvindo alguém falar sobre coisas que não lhe interessavam.

E, depois de passar por um processo desses, repetidamente, é bem possível que ele já não ligue mais para isso. Note como ele fala calmamente.

Assim, fique calmo.

Você não está aprendendo Matemática. Não está aprendendo Língua Portuguesa. Não está aprendendo Ciências. Isso é só a fachada.

O currículo está para o verdadeiro ensino como o restaurante sem movimento está para a lavagem de dinheiro de algum negócio ilícito. É só a fachada.

O que você aprende de verdade é que você deve suportar situações insuportáveis por períodos longos do seu dia, repetidamente ao longo de anos de sua vida.

A cadeira desconfortável em que você se senta por milhões de minutos está moldando sua bunda para o que bilhões de adultos costumam chamar de cotidiano.

Esse aprendizado tornará mais fácil e cômodo aceitar aquilo que se espera de você daqui a alguns anos.

E o cara lá na frente é uma espécie de boneco de treinamento. A exemplo dos simuladores, ele não pode feri-lo de verdade. Mas está condicionando você para a coisa mais importante nesta vida:

RESPEITAR A AUTORIDADE. A AUTORIDADE SÓ FALA A VERDADE.

E, pode acreditar, você terá oportunidade de respeitá-la e também de ser autoridade, às vezes simultaneamente, às vezes como boneco de treinamento. Ser, nessa máquina, uma engrenagem. Que é movida mas que move também

Sem respeito à autoridade, o mundo como o conhecemos não funciona. E todo o mundo sabe como o mundo, tal e qual o conhecemos, é ótimo. Todos o adoram. Ninguém quer engrenagens que se movam em algum sentido inesperado.

Então. Fique calmo. E sentado.

Outra coisa importante: errar é horrível.

Esperamos que você só acerte nesta vida.

Sabemos que ter medo de errar prejudica a criatividade, pois a criatividade presume eventuais erros.

Mas também ninguém espera que todo o mundo seja criativo. Afinal, o que seria da autoridade se todo o mundo começasse a ser criativo e tivesse liberdade para errar sem medo?

Assim, mais fachada: parece bonito ensinar alguém a só acertar, mas de verdade o que você tem que aprender mesmo é o medo de errar.

O mercado não admite erros.

Não havíamos tocado neste assunto, ainda.

O mercado.

Mas saiba que o mercado é a cola que une a sua bunda a essa cadeira desconfortável. Afinal, você precisa, um dia, ser capaz de ser um empregado e fazer parte do mercado.

É por isso que você está sentado. Sentado e calmo.

Fique calmo.

E, depois de anos de cadeira, ouvindo alguém falar de coisas que não lhe interessam em absoluto, você passará por uma coisa chamada vestibular.

O vestibular verifica se você ouviu e absorveu o suficiente de coisas desinteressantes e se, assim, será capaz de, mais tarde, vender seu tempo para projetos que também não lhe interessam necessariamente. E, assim, ser um empregado exemplar.

Isso tudo depende de:

•sua capacidade de ficar sentado em uma cadeira desconfortável, que indica sua predisposição a suportar situações insuportáveis

•sua capacidade de não questionar a autoridade, tão firmemente desenvolvida e fixada ao longo de anos que você nem a percebe

•sua capacidade de se interessar por assuntos que não o interessam realmente, que é uma espécie de auto-engano que as grandes empresas costumam chamar hoje de proatividade e de sinergia

Se você tiver absorvido tudo isso, certamente passará no vestibular. Muito embora – e mais uma vez entramos no tema da fachada – o vestibular pareça medir coisas como Matemática, Língua Portuguesa e Ciências.

Podemos concluir, grosso modo, que quanto mais concorrida a vaga de um curso, mais ela exige das três capacidades acima arroladas.

Matemática, Língua Portuguesa e Ciências são índices apenas. Na verdade, estão para o verdadeiro ensino como o hambúrguer está para o cadáver do boi.

Ainda assim, FIQUE CALMO.

Sim. Finalmente, você entrou em uma faculdade.

PARABÉNS!

Mais alguns anos de cadeira desconfortável. Só para garantir.

Mas agora você não precisa ficar sentado nela durante tanto tempo. Não é preciso. Seu espírito já se dobrou. Possivelmente, ele está sentado neste momento, suportando alguma situação insuportável, mesmo quando você está em pé.

Bem calmo.

É bem provável que essa faculdade em que você entrou tenha como slogan algo semelhante a “preparamos para o mercado” com a foto de um modelo sorridente abaixo.

Não confunda: ele não é um estudante da instituição, mas os dentes daquele sorriso são o mercado.

Para as fachadas mais humanas, o slogan é algo como “preparamos para a vida”. Que, considerando que vida e mercado hoje são quase sinônimos, dá na mesma.

“Preparamos cidadãos” – e seus equivalentes – quer dizer “ensinamos você a usar o Procon”. Porque, no mercado, o bom cidadão é o consumidor. Talvez a única vez que você tenha questionado o sujeito que fala coisas desinteressantes lá na frente tenha sido dizendo algo como: “Ei, eu pago o seu salário! Sou um consumidor!”. Parabéns, você aprende rápido.

Pois se você é incapaz de consumir, não é um cidadão de primeira classe. Talvez nem seja um cidadão.

E o mercado pede que você seja um cidadão. E o máximo a que o seu questionamento será capaz de chegar irá até estas três letrinhas: SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor).

Se as empresas quisessem atender pessoas, colocariam gente de verdade atendendo aos telefonemas. E não gravações ou outras pessoas lendo scripts e preparadas pelo mercado.

Por isso, o mercado – de olho no futuro – cola sua bunda à cadeira desconfortável durante horas.

Para aprender a suportar situações insuportáveis, respeitar a autoridade e para nivelar sua criatividade tão aceitavelmente quanto a volúpia de um gato castrado.

Para que assim, um dia, você possa contribuir e, só então, consumir: realimentando o processo.

Eu sei que, aos cinco anos de idade, é difícil entender o que está acontecendo.

Mas peço que você, por alguns instantes e nos seguintes, FIQUE CALMO.

Em alguns anos você vai aceitar tudo perfeitamente.

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MÚSICA CLÁSSICA EM GRÁFICOS

maio 11, 2010

Música pra mim é algo que começa e termina ao redor da santíssima  trindade, baixo\guitarra\bateria. O rock n’ roll.

Mas é de fato inebriante quando nos deparamos com o gênio, mesmo que fora do nosso pequeno mundinho. Tal acontece ao se ouvir Bach. Estou falando mais especificamente da Toccata em Fugue em D menor.

Complexidade com certeza não é sinônimo de genialidade nem de qualidade, porém… essa musica lindíssima é um exemplo da técnica e arte impressa na música como não se vê mais.

O vídeo à seguir mostra a complexidade dessa obra em forma de gráfico. Melhores 8 minutos musicais do seu dia, vale muito à pena.

Roubei do Alessandrolândia.

Para os verdadeiros fãs, a partitura está aqui, cortesia do criador do vídeo, o Musanim, que aliás, possui um site, chama-se http://www.musanim.com/ e pode-se encontrar alguns outros vídeos como esse lá. Ele também vende um DVD com todas as animações feitas no seu Music Animation Machine.

A CRISE NO MUNDO DOS QUADRINHOS

maio 7, 2010

Texto de Mark Miller na edição #1 da mini série Red Horizon do Savage Dragon. Bem instrutivo e atual apesar de escrito faz pouco mas de 10 anos.
Traduzido por mim e revisado pelo Luan.
Segue o texto:
———

Há algum tempo, nós nesse ramo sentimos uma pequena queda nas vendas – só pro caso de você não ter percebido – e é claro, quando algo ruim acontece, você normalmente pode ter certeza de que as pessoas vão começar a pôr a culpa umas nas outras. Bem, foi o que eles fizeram. Especuladores, fãs, companhias, distribuidores, criadores, eles todos começaram o que se pode chamar de jogo da culpa. É claro que todos podem carregar um pouco do fardo da culpa, se estiverem dispostos, mas eu tenho acredito fortemente que só há um único e verdadeiro vilão nesse pequeno mistério… ah, não, eu não vou entregá-lo assim tão fácil. Ao invés disso, vamos ver o que você consegue deduzir da forma como esta história se desenrola:
Há muito, muito tempo, em uma loja de quadrinhos perto de você, um garotinho chamado Bobby entrou para comprar o seu primeiro quadrinho. Ele passou pelo balcão a caminho dos fundos da loja até que ele ouviu uma voz sussurrando, “Ei, garoto…” Bobby virou a cabeça, com medo de ter quebrado alguma regra da qual ele não estava ciente. A voz pertencia a um jovem por volta dos seus dezesseis anos vestindo uma camisa preta desbotada do Bob Marley. Era a figura típica do rastafári, fumando um grande cigarro de haxixe e com uma coroa de folhas de Marijuana saindo de suas costas. Se Bobby tivesse idade o suficiente pra saber o que era Marijuana, ele provavelmente não se perguntaria por que os olhos daquele jovem pareciam tão cansados no meio da tarde. A voz continuou. “… você tem que deixar a sua mochila aqui.”

“Ah, desculpe.” Respondeu Bobby, um pouco por ter mesmo desrespeitado uma regra que ele não conhecia.

“Não me parece que você vá roubar alguma coisa… mas são as regras.” Um pequeno sorriso apareceu do canto da jovem boca de Bobby. Já mais calmo, ele olhou além da cabeça do atendente da loja para a parede cintilante atrás dele. Lá, em filas cuidadosamente alinhadas, embalados em plástico, estavam livros extravagantemente decorados cujas capas gritavam “olhe pra mim!! sou eu quem você quer!!” E então ele olhou. Enquanto seus olhos vagavam pelo canto de cada embalagem, ele viu pequenos adesivos amarelos de preço anunciando o valor de cada um dos livros contidos dentro. Dez dólares, oito dólares, vinte dólares, e alguns deles chegavam a cento e cinqüenta dólares. Os olhos de Bobby vacilaram, quando seus olhos atingiram o chão, com as mãos chegando ao bolso, ele o puxou de dentro pra fora. Ele abriu a mão, e contou: cinqüenta… setenta e cinco… oitenta e cinco…noventa e cinco…noventa e seis. Noventa e seis centavos. Não era exatamente um dólar, e certamente não eram dez dólares, menos ainda cem dólares. Bobby não estava feliz com a situação.

“Eu não achei que elas iriam custar tanto…” disse ele, mostrando seu desapontamento para o jovem atrás do balcão, “eu não pensei que-“

“Que?”, o atendente interrompeu, embora ele não estivesse certo de ter interrompido alguma coisa, “Que qui cê disse aê?”

“Eu disse, eu não pensei que quadrinhos fossem tão caros”, Bobby repetiu. O jovem virou a cabeça para ver o que o Bobby estava olhando; ainda que ele soubesse exatamente o que estava pendurado na parede atrás dele por quatro dias da semana depois da escola, e provavelmente até nos dias em que ele não estava lá.

“Ah… ah, não, esses são os itens de colecionador. Tem um monte de quadrinhos baratos bem atrás de você.” Bobby se virou para as prateleiras de quadrinhos, cada uma implorando para ele da mesma forma que as plastificadas estavam. Por alguma razão, entretanto, elas pareciam não ter a mesma aparência magnífica das que estavam atrás do Bob Marley. “Você nunca comprou uma revista em quadrinho antes?”

“Hmm mm” Bobby zumbiu um ‘não’ quase inaudível à pergunta.

“Bem, dexeu te mostrar algumas então. Beleza?” O atendente se recompôs enquanto pulava da sua cadeira e por cima do balcão. ‘Ele não deve estar tão cansado quanto parece’ Bobby pensou consigo mesmo. O tour começou com as revistas que eram lançamento, uma pequena prateleira com pouco mais de um metro transversalmente disposta sob três camadas de revistas novinhas, cada uma gritando aos alegres olhos de Bobby. Super-Homem. Batman. Homem-Aranha. O Incrível Hulk. Bobby conhecia todos eles, mas nunca pensou realmente neles como personagens de quadrinhos, só como séries de TV. Ao lado das revistas mais novas, havia caixas do que o vendedor chamava de “velharia”. Haviam realmente muitas pra se olhar, então essa parte do tour foi breve. Depois veio uma estranha prateleira de madeira cheia de quadrinhos que estavam meio surrados. Bobby então se lembrou do ferro-velho em que seu pai o havia levado naquele ano e lembrou-se do pai ter lhe falado que ‘só porque algo não está perfeito, não quer dizer que não serve pra nada’. Aqueles carros, ele imaginou serem como as revistas na caixa de madeira, “essa é a caixa dos que custam 25 centavos.”, o tour continuou. Seguindo pelas paredes estavam filas de revistas que estavam quase perfeitas, mas não tanto quanto os que estavam na prateleira dos lançamentos. Com estas, o tour estava concluído, Bobby pensou. Pra dizer a verdade, ele provavelmente não teria notado se o garoto da camisa do Bob Marley continuasse falando algo, porque uma destas revistas estava gritando muito mais alto que qualquer outra. Estava gritando tão alto que Bobby provavelmente não notaria se uma bomba explodisse bem na sua cara naquele instante.

Ele esticou sua pequena e rosada mão e segurou no canto de uma revista que pegou seus olhos e se recusou a largar. ‘X-MEN’, lia-se no título e abaixo disso uma estranha mulher negra sendo rasgada e transformando-se numa estranha e melancólica besta… Ela o deixou fascinado, as linhas limpas e simples movendo-se em conjunto para formar sentimentos que foram concebidos como uma forma de arte que era completamente nova pra ele. Página após página, ele olhou para os desenhos, maravilhado e cores que penetravam os seus olhos, cativando-o e literalmente viciando a mente do garoto na história. Quase babando de alegria, Bobby sabia que tinha achado aquele quadrinho, que poderia pagar com o que sobrou da sua mesada semanal e ainda comprar uma casquinha de sorvete de chocolate na sorveteria ao lado.

Ele marchou até o balcão e sacou o seu dinheiro, jogou os sessenta e cinco centavos, preço de capa, e forçou intensamente um riso ao Bob Marley. “Já achou uma que você gosta?”, disse o Sr. Marley, então ele pegou a revista que estava de lado para ver melhor, “Ah, hey, essa aqui é boa. Paul Smith, ele é o cara! Aposto que essa vai virar item de colecionador. Aqui, deixeu te dar uma sacola e uma embalagem pra você manter ela inteira…”.

‘Um item de colecionador’ pensou Bobby, “wow.”. O jovem levou a mão até debaixo do balcão e sua mão voltou com uma das embalagens que proclamavam as revistas da prateleira de cima párea a realeza. Ele abriu e com cuidado, escorregou a Uncanny X-Men de Paul Smith para o seu lugar de direito.

“Aqui está.”

“Obrigado – ” o Bobby disse com um sorriso enquanto pegava a sua mochila e se dirigia à porta, então, pensando na sua mesada, que vinha num cronograma regular, desde que ele não tacasse fogo no cachorro ou algo do gênero, ele se virou e complementou, “- até semana que vem!”
Uma década depois, Bobby passou pelo colegial e tinha uma bela coleção, e alguns lapsos na mesma, que ele prontamente recuperou nas edições da ”velharia”. Ele comprava mais ou menos de quatro a seis revistas por semana na loja. Ele percebeu que os livros subiram de preço drasticamente nos últimos anos, mas ele continuou fiel ao fantástico mundo, ou seria melhor dizer, ‘mundos’ dos quadrinhos. Parecia que para cada livro que ele pegava, havia mais um que ele queria para sua coleção. Maravilhosos novos artistas, mostrando a Bobby novas direções que ele nunca tinha imaginado na arte. E ainda assim as lendas continuavam trazendo o melhor nos quadrinhos todo mês. Bobby estava no paraíso e ele queria que durasse para sempre. Não durou.

Logo, Bobby começou a perceber mais e mais quadrinhos nas prateleiras todo mês. Sua leal prateleira de um metro com ‘lançamentos’, aparentemente foi injetada com esteróides, estava grande o suficiente agora para ocupar uma parede inteira da loja. Seria maravilhoso ficar horas e horas olhando para os maravilhosos novos trabalhos de arte, se fossem tão maravilhosos assim. Seria glorioso sentar e ler as fascinantes novas histórias, se elas fossem tão fascinantes assim. Elas não eram nenhum dos dois. Na verdade, elas eram simplesmente o oposto; os novos artistas eram só uns moleques que há cinco anos não conseguiriam nem um trabalho em Malibu, e mesmo assim aqui estavam eles, em alguns dos títulos que o Bobby tanto amou por toda sua vida. Não somente isso, mas a história ficou tão óbvia, juvenil, e por vezes tão ruim que ele não conseguia passa pela maioria das revistas sem perder o pouco do interesse que ainda lhe restava. Os quadrinhos haviam perdido algo, talvez tenha sido a inocência. Talvez tenha sido a consistência do esforço de quem os fez. Seja lá o que foi, estava ficando difícil, para Bobby, uma obrigação até, achar uma revista que ele quisesse comprar. Até a sua lealdade a alguns dos antigos favoritos se esvaiu quando ele viu que eles tinham perdido o entusiasmo no qual um dia ele havia saboreado.

Bobby tentou se divertir numa ida à loja de quadrinhos mais uma vez, até levou com ele o seu jovem sobrinho, Justin, pensando que talvez pudesse reviver seus dias de infância pelos olhos do garoto. Olhando em volta, ele pegou uma revista que costumava estar entre suas favoritas e a abriu. O olhar de desgosto apareceu em sua face quando ele descobriu que a linda arte na capa não era a mesma no interior da revista. Esse tinha sido o limite, a última gota havia sido derramada. Não é que não houvesse bons livros pra se comprar, só que se tornou um grande esforço achá-los no meio do palheiro de merda que aparecia toda semana. Bobby estava entristecido e com raiva, com certeza ele não queria ficar nem mais um segundo na loja. Ele virou para o seu sobrinho e perguntou se havia algo que ele queria. “Tem muita coisa…”, pronunciou Justin, “eu não consigo ver as figuras.”.

Bobby entendeu perfeitamente. Onde uma vez ele havia entrado nessa mesma loja e vagado pelas gloriosas capas e a arte pura dentro delas, agora ele via olhares distorcidos, caras zangadas e detalhes inúteis e supervalorizados que tentavam quebrar as barreiras de tudo ao seu redor. Ele não agüentava mais. Pegando o sobrinho pelo braço rechonchudo e indo em direção à porta, ele parou para olhar para o vendedor; o garoto magrelo do Bob Marley foi substituído por um garoto mais velho com óculos largos e um formato que parecia uma tartaruga. “Vejo vocês semana que vem!” O garoto tartaruga despediu-se carinhosamente.

Bobby respondeu, “Não, eu receio que não.”

FIM

ANTIREBOLATION

maio 6, 2010

Então é por isso que eu tenho que ficar ouvindo esta merda?

Fato é que, por vezes, nós temos que ENGOLIR alguns sapos, algumas intrussões no nosso cotidiano com o pretexto de respeitar os direitos dos outros quando, o de quem possui gostos diferentes, nem sempre (entenda-se quase nunca) é respeitado.

A dica foi do Luan. Valeu!

OBRAS DE RENÉ DESCARTES

dezembro 21, 2009

Em português:

DESCARTES_Regras_Para_a_Direo_.html
DESCARTES__Objees_e_Respostas.html
DESCARTES_As_Paixes_da_Alma.html
DESCARTES_Meditaes_Metafsicas.html

Em francês:

Les_Mditations.html
Discours_de_la_Mthode.html

Em italiano:

Discorso_sul_metodo.html

A HISTÓRA DAS COISAS – PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEL

dezembro 15, 2009

     De onde vêm as coisas e para onde vão depois que nós as jogamos fora.

     O documentário, apesar de não ser novo, explica de forma simples e num formato muito legal etapa por etapa do processo de produção e consumo que está levando nosso mundo ladeira abaixo.

     Vale muito os 21 minutos na frente da tela.

OBRAS DE FRIEDRICH NIETZSCHE

dezembro 6, 2009

Em português:

A_Origem_da_Tragdia.html
Alm_do__Bem_e_do_Mal.html
Assim_Falava_Zaratustra.html
Crepusculo_dos_dolos.html
Genealogia_da_Moral.html
O_Anticristo.html

Em inglês:

Beyond_Good_and_Evil.html
Homer_and_Classical_Philology.html
On_the_Future_of_our_Education.html
The_Antichrist.html
The_Case_Of_Wagner_Nietzsche_C.html
Thoughts_out_of_Season_Part_I.html
Thus_spake_zarathustra.html
We_Philologists.html

Em alemão:

Also_sprach_Zarathustra.html
Die_Geburt_der_Tragdie.html
Ecce_homo_Wie_man_wird_was_man.html
Gtzen-Dmmerung.html
Jenseits_von_Gut_und_Bse.html
Menschliches_Allzumenschliches.html

Em finlandês:

Dityrambeja.html

Em francês:

Ainsi_Parlait_Zarathoustra.html

A FANTÁSTICA OBRA DE WILLY BARP

novembro 30, 2009

     Em português:

http://www.4shared.com/file/162458965/2d4a21f2/Reminiscencias.html

     Willy Barp é a mente criminosa por detrás do blog Asas do Corvo. Lá ele expôe poemas e contos de todas as formas e sabores, dentre outras coisas. A obra citada e linkada acima é a primeira de, esperamos, muitas outras que virão e pode também ser encontrada pelo link do próprio Corvo na seção “Livros”.

     Visitem o blog, baixem o livro e se deliciem como se estivessem degustando, tomem o seu tempo para a leitura, pois em época de cultura expressa, essa é uma obra para imersão na arte. Respire fundo e se jogue.

 

EDIÇÃO IMPORTANTE:

     Li hoje no Asa do Corvo que o Reminiscências do Willy agora tem uma versão em papel. O preço é praticamente simbólico e está disponível no Clube de Autores. Lá tem a sinopse escrita pelo próprio Willy e imagens das 6 primeiras páginas incluindo a capa.

PARABÉNS AO DEUS DA GUITARRA

novembro 27, 2009

     Sessenta e sete anos atrás nascia Johnny Allen Hendrix, que passou a ser tempos depois James Marshall “Jimi” Hendrix, nome mudado pelo pai em homenagem ao seu irmão. De Seattle, Washington, para o mundo.

     Da minha parte, riffs de guitarra geniais que NUNCA foram copiados, as letras de música mais lindas, mais sacanas, mais animadas e mais tristes são de autoria dele, não só um exemplo mas um marco na história da música, tudo isso é a minha visão do grande Jimi Hendrix, que como todo gênio, quanto mais tem a dar para o mundo, mais rápido é tirado dele.

     Para os que querem conhecer a obra. Aí tem a discografia e alguns vídeos.

     Para conhecer um pouco da longa história da vida do mestre.

     Não podia deixar de colocar uma canjinha dele por aqui.

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OBRAS DE IMMANUEL KANT

novembro 26, 2009

Em português:

KANT_A_metafisica_dos_costumes.html
KANT_A_Religio_Nos_Limites_da_.html
KANT_O_Conflito_Das_Faculdades.html
KANT_Prolegmenos_a_toda_metafs.html
KANT_Que_significa_orientar-se.html

Em inglês:

Critique_of_Practical_Reason_a.html
Fundamental_Principles_of_the_.html
Introduction_to_the_Metaphysic.html
On_the_Relashionship_of_Theory.html
Perpetual_Peace.html
Principles_of_Politics.html
The_Metaphysical_Elements_of_E.html
The_Philosophy_of_Law.html

Em alemão:

Kritik_der_reinen_Vernunft__2n.html
Kritik_der_reinen_Vernunft__1s.html

Em italiano:

La_pedagogia.html

OBRAS DE SANTO AGOSTINHO

novembro 23, 2009

Em português:

AGOSTINHO_Santo1_Soliloquios_e.html
AGOSTINHO_Santo_Confissoes_e_D.html
AGOSTINHO_Santo_A_doutrina_cri.html
AGOSTINHO_Santo_A_trindade.html

Em inglês:

The_Writings_Against_the_Manic.html
Anti-Pelagian_Writings.html
City_of_God.html
Confessions_and_Enchiridion.html
Expositions_on_the_Book_of_Psa.html
Homilies_on_the_Gospel_of_John.html
On_Christian_Doctrine.html
On_the_Holy_Trinity.html
Sermon_on_the_Mount.html
The_Confessions_and_Letters_of.html
The_Soliloquies.html

A PIRATARIA LITERARIA PELOS OLHOS DE UM HOMEM DE LETRAS

novembro 20, 2009

     “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.” Mestre Pessoa que me perdoe, mas foi a primeira coisa que eu pensei quando li no Livros e Afins  uma matéria com um comentário do Neil Gaiman sobre a pirataria. Pirataria essa que, ele sabe, atinge o seu próprio bolso. Sem mais delongas, lá vai o que o Gaiman disse:

“O fato é que queiram – ou não – as editoras, os livros de Gaiman e de inúmeros outros autores estão disponíveis na rede – ainda que de forma ilegal. O perigo não está em livros serem lidos de graça. Mas neles não serem lidos”

     Não é de agora o sujeito é o meu herói. É sem dúvida um dos maiores e melhores escritores do nosso século. Ele deu um novo gás a todo o gênero de literatura fantástica, criou os super heróis mais divertidos, os mais filhos da puta e até identificou a cerveja sem álcool como um dos motoqueiros do apocalipse. Nem vou entrar aqui no critério de suas obras que foram plagiadas e acabaram virando best-sellers, mas envolve um garoto de óculos, mágica e uma coruja.

                Infelizmente ele ainda é daqueles autores considerados underground. Fora do mainstream da literatura por fugir do estilo romancezinho água com açúcar, os seus livros são propositalmente para um público que sabe e quer pensar. Quer expandir a mente. Um exercício que poucos estão dispostos a fazer.

                E convenhamos, falar de si mesmo na terceira pessoa é só pra quem sabe mesmo que é fodão e ponto.

OBRAS DE RAUL BRANDÃO

novembro 16, 2009

     Em português:

A_Ilha_Azul.html
Mulheres.html
o_misterio_da_arvore.html
Os_Pobres.html

CONFORMIDADE, CONFORMISMO E O VOTO NO LIXO

outubro 29, 2009

     Minha mãe me mandou um e-mail esses dias com um texto muito legal e deu a dica deu pôr no blog. É, a família toda tá colaborando agora. Mas acontece que o texto é bom mesmo e chega perto de abordar um tema que eu já queria escrever sobre já faz um tempo.

     O texto aparentemente não tem autoria, então fica aí a vaga.

 

 

     “Brasileiro sempre teve mania de reclamar dos seus governantes. Reclamava dos governantes das Sesmarias e das Capitanias Hereditárias; dos governadores gerais e dos imperadores. Reclamava dos presidentes da Velha República e da República Velha, dos militares, de Sarney, de Collor, do Itamar, de FHC, de Lula. Não reclamaram de Tancredo Neves porque morreu antes da posse!

     Nas próximas eleições vamos ter novo presidente, novo governador, outros deputados, ou os mesmos! Mas o povo vai continuar a reclamar. Sabe por quê? Por que o problema não está nos deputados, senadores, governadores, prefeitos, presidente, funcionários. O problema está naquele que reclama: você e eu, nós! O problema está no brasileiro. Afinal, o que se poderia esperar do povo que sempre da um jeitinho? Um povo que valoriza o esperto e não o sábio? Um povo que aplaude o vencedor de um Big Brother, mas não sabe o nome de um escritor brasileiro? Um povo que admira o pobre que fica rico da noite para o dia! Ri quando consegue puxar TV a cabo do vizinho. Sonega tudo o que pode e quando pode, sonega até o que não pode. O que esperar de um povo que não sabe o que é pontualidade? Joga lixo na rua e reclama da sujeira? O que esperar de um povo que não valoriza a leitura? O que esperar de um povo que finge dormir quando um idoso entra no ônibus? Prioriza o carro ao pedestre? O que dizer de um povo que elege o Maluf de novo, elege o Clodovil?

     O problema do Brasil não são os políticos, são os brasileiros. Os políticos não se elegeram, fomos nós que votamos neles. Político não faz concurso, ganha votos: o seu e o meu.”

 

 

     Não deixa de ser verdade, eu ainda acrescento, existe outro problema que é o conformismo. O brasileiro deve ter alguma carência, alguma vontade de se encaixar em todos os grupos, sei lá. O fato é que as pessoas parecem ter um bloqueio de dizer “não”, alguma coisa proíbe o cérebro delas de serem contra a opinião alheia. Eu já observei isso acontecer várias vezes e como sou taxado de “do contra” ou “criador de caso”, vejo isso com grande curiosidade. A minha teoria é de que o brasileiro tenta não desagradar o seu próximo. Não sei o porque disso.

     Acontece toda hora, quando o caixa do supermercado não te da a droga do um centavo (dá minha moedinha!), quando alguém fura fila (aê, eu cheguei antes de você aqui, amigão!) e existem trocentos exemplos do dia-a-dia.

     Alguns pesquisadores aparentemente chegaram ao cúmulo de estudar um fenômeno parecido que eles denominaram conformidade e que se relaciona muito com o brasileiro também. Segue o vídeo explicando abaixo.

     A meu ver a situação tem duas soluções. Uma e simples e a outra nem tanto. Apesar da nem tanto ser bem mais divertida.

     Na nem tão simples, fazemos como na revolução francesa e botamos algumas cabeças pra rolar. Claro que não necessariamente precisa ser com guilhotina. Isso seria desumano. Poderia ser pelotão de fuzilamento ou enforcamento. Tanto faz. Mas limpar um pouco o país dos políticos não faria mal nenhum.

     O grande problema dessa opção é a falta de organização e de atitude do brasileiro. Vontade de se sujar um pouco pra fazer uma limpeza.

     Na segunda opção, bem mais simples, porém muito improvável ainda, é a seguinte:

 

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     Achei a imagem no blog Alê Félix.

     Nada poderia ilustrar melhor. Simples assim, vote nulo. Toda eleição que aparece eu encho o saco das pessoas que eu conheço, explicando isso. Vote nulo, se você acha que nenhum dos políticos merece o seu voto, não vote no menos pior, porque ele não sabe que você votou no menos pior, para a estatística o que fica parecendo é que você votou no cara porque gosta e apóia as suas idéias.

     Passe a mensagem certa e vote nulo. Avise para os políticos que você não os quer mais no poder. Poder esse que, por experiência, você sabe que eles só usam para nos ferrar.

OBRAS DE LUIZ VAZ DE CAMÕES

outubro 21, 2009

Em italiano:

I_Lusiadi.html

Em português:

Cancoes_e_Elegias.html
Os_Lusiadas.html
Redondilhas.html
Sonetos.html