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RAIEIRO

dezembro 21, 2009

Raieiro: adj. Açor., que tem maus costumes ou mau génio. s. m. Gír., indivíduo que não goza de crédito.

VINTE E QUATRO ANOS DE BROCHADA

agosto 18, 2009

     Puxaleve estava sentado num barzinho, terça à tarde, esperando Doravante, seu amigo chegar. Quando ele chega, senta-se e pede mais uma garrafa e um copo.

– Que cara é essa? – diz Puxaleve

– Brochada.

– Xíííí… nem conta, não quero nem saber.

– Que? Não, né nada disso, ô animal! É o país.

– País? O que o país tem a ver com a sua brochada?

– Deixa de ser tapado Puxa. Você não vê? O país é que tá brochando. Faz vinte e quatro anos que o Brasil tá brochando.

– E como é que país brocha?

– Tudo começou por causa do desgraçado do Tancredo em 85. Opa, valeu heim. – Doravante agradece ao garçom que deixa o copo e a garrafa na mesa.

– Mas o Tancredo morreu, ele foi eleito e morreu antes de tomar posse.

– Exatamente, o desgraçado morreu e deu o cargo pro Sarney! Pro Sarney!! Tem desgraça maior que essa?

– É eu lembro essa daí. Lembro que até na época não se sabia direito se era ele ou o tal de Ulysses que devia ser o presidente mesmo. Mas o cara tinha a grana e o poder então acabou sendo ele.

– E o desgraçado ficou cinco anos no poder pra depois dar lugar a quem?

– Ahn… deixa ver, depois dele veio… vixi, foi o Collor.

– Nem precisa falar né? Durou dois anos e entrou o Itamar pra substituir. Foi melhor que o Collor, mas também pra ser pior só se o Bush fosse eleito. Mas também fez um monte de cagada. Lembra o plebiscito em 93? 30% da população nem apareceu ou anulou o voto e 10% votaram na monarquia. MONARQUIA!! As pessoas preferiam ter um rei a um presidente. Claro, as nossas experiências com presidentes tinham sido na ditadura, o Collor e o Sarney.

– Haha, eu me lembro disso, ele mudou de partido pra se eleger e tudo. Essa história de fidelidade partidária nunca colou com ninguém.

– Exato, mas uma das poucas coisas decentes que esse cara fez, o Fernando Henrique foi lá e tascou a mão. O real. – Doravante joga uma nota de R$ 10,00 na mesa.

– A inflação tava braba.

– Tão braba que às vezes a gente ia à padaria pra comprar pão e não tinha porque o preço da farinha foi pro espaço! Mas todo mundo votou confiante no FHC, o cora era formado em sociologia, professor da USP, renomado estudioso de Maquiavel e ainda por cima de família rica. Pô, o cara tinha bala na agulha, era inteligente e instruído. Tinha tudo na mão… FUDEU com o país que nem jegue comendo uma virgem.

– Esse era um que eu matava. Não tem sujeitinho mais escroto que esse. Posando de intelectual, não fez porra nenhuma. O Lula eu até posso perdoar, o cara passou fome quando criança, sem educação formal. Mas um sujeito de faculdade, família boa, cheio de oportunidade se vender assim que nem ele.

– É mais o Lula também não é inocente. Afinal ele brigou tanto pra se eleger pra que? Cinco vezes! Se candidatou cinco vezes. Dava até a impressão de que o cara ia salvar o mundo. Tava com tanta vontade de se eleger que parecia que tinha descoberto a saída de todos os problemas. Porra nenhuma. Ta aí, viajando e falando merda igual um pedaço de pau de bosta.

– Ta aí ainda, não sabe de nada, não quer nada com nada. Mas qual é o ponto disso tudo?

– Cê não entendeu ainda? O país vem brochando desde a época do Tancredo. A gente só tem tido um bando de safado ou idiota no governo e os caras não fodem nem saem de cima. São uns brochas e a gente ta brochando junto. Aliás, junto não, eles tão brochando a gente. Percebeu um certo padrão na presidência desde aquela época? O Tancredo é eleito, mas o Sarney entra. Depois o Collor é eleito e o Itamar entra. Depois disso mudou a moeda, ai o Fernando Henrique tem dois mandatos, depois o Lula tem dois mandatos.

– E daí?

– E daí que primeiro alguma coisa acontecia e um presidente acabava sendo tirado do governo para outro entrar. Quando ele entrava, nós não tínhamos escolha. Já foi difícil por alguém lá e agora que seja-lá-quem-for entrou, não dá pra tirar. Depois os passamos a reeleger os presidentes, de novo, por completa falta de escolha. Lula é igual ao Fernando Henrique que é igual ao Itamar que é idêntico ao Sarney, não interessa. Qualquer um que estiver lá vai fazer a mesma porcaria. Brochar.

– Tá, e pra que você chegou aqui já falando disso?

– Ah, Puxa, fica quieto e pede mais uma.