Posts Tagged ‘Texto’

SACRIFÍCIO

maio 13, 2010

O moleque com seus reles oito anos de vida já possuía um currículo invejável em termos de leitura de quadrinhos. Ele lia como quem engolia as páginas, aglutinava quantidades absurdas dos estimados gibis. De manhã, de tarde, de noite, não tinha hora. Andando na rua ou durante o almoço.

E foi no almoço que ele viu a toalha! Aquela toalha de mesa vermelha quadriculada que cobria o vidro sob seu prato de comida era mágico. Ele não pensou duas vezes, puxou a toalha, derrubando no chão o prato com comida e tudo, amarrou no pescoço o artefato místico e com a heróica certeza dos predestinados, tacou-se janela afora.

O garoto sacoleja um pouco, mas logo pega o jeito. Parece que nasceu para isso. Ele voa, sua toalha de mesa se debatendo no pescoço, tamanha sua velocidade.

Porém o vôo não durou muito. Olhando para baixo, ele vê uma senhora atravessando a rua lentamente enquanto a poucas dezenas de metros um carro virava a esquina numa velocidade que fazia o ato de frear, uma opção inútil, e até incauta.

Pendendo todo o seu quase nulo peso para frente, ele zuniu, como uma bala para vencer o espaço até a velha senhora. Tirou a transeunte desatenta de perigo no último segundo, mas olhando para o carro que havia passado por eles, viu que o motorista com o susto havia perdido o controle e o veículo iria capotar a qualquer instante!

Dizendo “Tome mais cuidado ao atravessar a rua, senhora!”, deixou-a em segurança na calçada e foi em direção ao carro. Tentou segurá-lo pelo pára-choque, mas este logo cedeu e ficou em sua mão, saindo do carro. Tentou o vidro traseiro, fincando os dedos nele pás o mesmo aconteceu. O carro somente parou quando o garoto o invadiu e furou o chão, prensando os pés contra o asfalto.

Cansado, mas feliz consigo mesmo pelos seus feitos, avisou ao motorista “Não precisa dirigir tão rápido na cidade. Podia ter machucado alguém!” e saiu pela porta de trás.

Ouviu tiros e percebeu sem demora que o carro havia parado em frente a um banco e que este estava sendo roubado! Podia ouvir a polícia lá no final da rua, mas até a sua chegada, poderia ser tarde demais para os reféns.

Entrou no banco quebrando as janelas do andar de cima que era aberto para o térreo e se mostrou, de peito aberto, sobre uma bancada. Os bandidos de início não entenderam, mas depois riram dele e atiraram até suas armas estarem descarregadas.  Os risos logo se tornaram olhares incrédulos quando viram o pirralho ainda de pé e desafiador. Com um pequeno esboço de sorriso, o jovem lança laser dos olhos contra as armas dos assaltantes, inutilizando uma a uma. Com os reféns agora seguros, o moleque pega os três ladrões pelo colarinho e voa com eles para a polícia do lado de fora.

No exterior do banco, o fedelho pousa no meio dos policiais e larga os bandidos, mas estranha todos ao seu redor estarem olhando para cima. Virando seu rosto para o céu também, ele vê ao longe quatro grandes mísseis se aproximando em alta velocidade.

Tentando sair do choque, ele balança a cabeça e alça vôo novamente. Ainda ao longe, ele destrói dois mísseis com seus raios, transformando seus destroços em mera chuva de pó. Fechou os olhos e atravessou o terceiro com o próprio corpo, explodindo-o também em pedaços.

Teve que dar a volta e se apressar muito para chegar ao último, dava pra ver lá do chão seus dentes rangendo e os olhos fixos no objetivo. Chegou então ao aparato militar e sentou nele, quando achou os controles enfiou a mão e arrancou um enorme emaranhado de fios.

O míssil caiu então, desativado e inofensivo, com o rapaz deitado em cima dele. Os grupos de policiais, os poucos civis que se aproximaram incrédulos e inclusive os bandidos que foram capturados se aproximaram cautelosamente do menino, o receio, é claro, mais por causa da bomba na qual o garoto repousava exausto de olhos fechados, do que nele mesmo. Enquanto as pessoas chegavam mais perto, passo a passo, o guri ouve um barulho, um chiado muito distante. Seus olhos se abrem vagarosamente e seus ouvidos atentam.

Ele se levanta, bate a poeira das suas roupas e levanta vôo, acompanhado de uma salva de palmas e urros de felicidade. O pequeno herói voa por alguns minutos numa velocidade incrível até ver a fonte do estranho chiado no horizonte. Uma criatura gigante, horrenda, com cara de lagosta, quatro pernas, seis braços com garras, mãos e tesouras nas pontas. Olhos por todos os lados do rosto, cada olho soltando um raio de uma cor diferente. Quando o garoto, enojado com a escamosa criatura se aproxima, precisa se afastar de novo para pescar um prédio, cheio de pessoas que o diabólico monstro havia arremessado.  Pôs o prédio de volta no solo, no meio de uma rua distante e, com os braços esticados acima da cabeça, alavancou-se contra o inimigo como se fosse um dos mísseis que acabara de destruir.

Porém o plano não deu certo, atingiu a carapaça e foi jogado para longe no impacto. Tentou acertá-lo com o laser dos olhos, mas também foi em vão, pois estes eram repelidos pelos raios do próprio monstro.

O garoto pára no ar, pensando, o monstro uiva loucamente, deliciado com a sua vitória. O pequeno então faz a única coisa que lhe restava fazer, ele precisava salvar as pessoas.

Fazendo um arco, ele voa para baixo, até as pernas da criatura. Agarra e faz força para cima. Muita força. Lentamente, uma perna sai do chão, depois outra, o monstro começa a se debater, mas de nada adianta, o garoto não larga e continua sua escalada. E continua. E prende a respiração após uma longa aspiração.

Os dois sobem, sobem, sobem e chegam ao espaço, e continuam e quando o jovem acha que foi longe o bastante ele gira, gira, gira e larga o monstro, boiando no vácuo para longe da terra. O moleque sabia que ia para uma viagem sem volta, tinha consciência de que o retorno era impossível. Usou os últimos sopros de ar em seus pulmões para se impulsionar na direção do seu planeta, mas não foi o suficiente. Sua força se esvaiu, seu ar acabou, cada musculozinho destreinado do seu corpo simplesmente desistia. Ele fechou os olhos.

À noite, uma criança, da sua casa na árvore, faz um pedido a uma estrela cadente que se desintegra na atmosfera. Ele que ter super-poderes.

O ARCANJO DE PEDRA

outubro 2, 2009

     Há muito tempo eu vinha procurando por um mortal que pudesse abrir uma passagem para o seu mundo. Meu senhor começava a ficar aflito e sempre resmungava que nos tempos antigos havia mais portais e eu sabia que sua irritação poderia cair a qualquer momento sobre mim. Estava ficando preocupado, até encontrar um tal de Sharbara, um aprendiz da arte negra.

     Ele não pediu muita coisa em troca, queria apenas poder para se tornar um grande necromante, não pediu um tratado nem ritual algum para confirmar o acordo – “os mortais estão perdendo a malícia” – dizia meu senhor. Sua ansiedade cada vez mais aumentava, pois o senhor queria que os velhos tempos voltassem. Dizia que o novo Mestre nos esquecera e não o agradava tanto quanto o antigo, que fora o mais cruel e ganancioso que existiu por esses planos, segundo ele. Soltá-lo seria uma tarefa trabalhosa, mas recompensadora.

     Os nossos planos, meu e de meu senhor, eram de chegar a Kazhmound e procurar as duas chaves que libertariam o Mestre. O humano nos abriu passagem e nos concedeu vestes, provisões e montaria. Em troca recebeu seus poderes, pois meu senhor é generoso e sempre retribui um favor. Diz que em tempos difíceis, sempre devemos trazer mais alguém para o nosso lado. Estávamos no meio das planícies desérticas do Reino Negro e deveríamos rumar em direção à Phyrexia, lá haveria um templo onde nós poderíamos nos hospedar. Ao chegarmos, percebi a insatisfação do meu senhor, o seu olhar repugnava a cidade. Ele me contou como aquele lugar havia sido palco de grandes preparações para guerras, mortes e destruição. Mas hoje era monótona, pois seus líderes não cobiçavam poder e não se importavam com as sombras.

     O templo era grande e muito bem trabalhado, se mostrava imponente diante das outras construções da cidade, sendo até mais belo que o castelo. Nos portões do templo haviam figuras entalhadas que me lembravam o meu lar. Entramos e pedimos para falar com o Supremo-Sacerdote e fomos atendidos. Um servo nos encaminhou à sua sala. Ao passar pelos corredores percebi que nas paredes havia pequenos gárgulas e mais desenhos do meu lar e me senti realmente em casa. A sala do Supremo-Sacerdote era grande e oval. Ele se encontrava de pé nas escadas de um altar. Tinha um ar altivo e olhar severo, o que não incomodou nem um pouco meu senhor que se dirigiu a ele dizendo:

     – Somos enviados das sombras e viemos em busca de recursos para seguirmos ao oeste e libertar o antigo Mestre. Assim nascerá uma nova era.

     O Supremo-Sacerdote riu. Fora a risada mais curta de sua vida.

     Após nos banquetearmos com suas vísceras, meu senhor pegou algumas velas e com o sangue do Sacerdote desenhou o símbolo de sua linhagem, um grande morcego, e começou a recitar algumas palavras. Logo, um portal se abriu e dele saíram doze criaturas. Grandes e fortes, tinham pele escura, olhos pequenos de cor amarelada e estavam enrolados em correntes. Meu senhor havia invocado seus criados para nos proteger de qualquer ameaça.

     Com um quartel-general e uma pequena tropa, passamos para o próximo passo. Encontrar as chaves. O senhor sabia a localização das duas, uma estava no fundo do oceano e a outra em um templo no reino de Hylius. Pediu-me para procurar um meio de irmos ao fundo do mar, mas eu tive uma idéia mais prática. Corromperia alguém do povo do mar para que trouxesse a chave e minha sugestão foi aceita. Peguei a orbe e comecei a procura, encontrei um grupo de tritões mercenários e os convoquei para uma pequena reunião nas praias de Phyrexia. Logo que chegaram, expliquei o que deveriam roubar e o que ganhariam com isso, eles então partiram em sua missão.

     Passamos cinco messes de mordomia no templo. Éramos bajulados o tempo todo pelos sacerdotes, uns porque nos admiravam e outros porque nos temiam. Até que recebemos a visita dos tritões que retornaram com o nosso pedido. O Tridente de Iras. Um dos mais valiosos artefatos dessa terra (fato que, felizmente os homens-peixe desconheciam). Pegamos o tridente e como retribuição nós os demos a honra de ser o nosso banquete. Não queríamos que alguém descobrisse quem os contratou para esse trabalho, então os matamos. O senhor nos explicou que esse Tridente abriria a cripta onde o Mestre se encontra e que agora deveríamos ir à busca do medalhão que o libertaria de seu túmulo. Pediu então para trazermos um ser humano ou qualquer outro tipo de humanóide que estivesse em perfeito estado. Trouxemos um homem mesmo, este esbanjava saúde. Com este homem, o senhor fez um ritual para transformá-lo em um pequeno diabrete. Seu plano era ir para Hylius e mandarmos o diabrete roubar o medalhão do templo.

     Assim que o pequenino voltou, nós fizemos os preparativos de viagem e partimos, eu, meu senhor e o diabinho em uma carroça e os doze montados a cavalo. Saímos da cidade à noite, cruzamos o grande deserto do Reino Negro em um mês e vinte dias. Quando chegamos ao portal dos Crânios Brancos, um forte na fronteira com o reino de Asura, fizemos uma parada para reabastecer e seguimos viagem pelas dunas do Mar Desértico sem muitas paradas. Meu senhor estava com pressa, temendo alguma intervenção da luz. Após algum tempo passamos a acompanhar o litoral, o que indicava que estávamos na estrada para Stormgrade. A partir de agora deveríamos abandoná-la e redobrar nossa atenção. Entravamos nas terras de homens bons que seguiam o rival de nosso Mestre. Logo o deserto acabou e passamos a caminhar sobre o chão verde. Depois de entrarmos em uma floresta, o sol brilhando cada vez mais, parecia tentar nos afugentar, mas prosseguimos e novamente sem paradas. Atravessamos aquelas terras em um mês e finalmente chegamos à fronteira com Hylius, ali mesmo montamos acampamento e à noite enviamos o diabrete para sua missão. Meu senhor ordenou que ele nos encontrasse nas montanhas que separavam Sephantia do reino élfico. Nós iríamos continuar viagem, pois ficar parado seria perigoso.

     E assim foi, prosseguimos por quase quatro longos messes até chegarmos no local do encontro. Para nossa surpresa o ladrãozinho não havia chegado. Ficamos preocupados e montamos acampamento para esperá-lo. Cinco dias se passaram e começamos a temer o pior, mas logo olhando para o horizonte vimos uma pequena figura voando depressa. Meu senhor riu, dizendo:

     – Diabo infeliz! Achei que estaria morto e nossos planos fracassados.

     Mas de repente a aflição voltou a nos atingir. Vimos o diabrete ser alvejado em seu vôo por uma flecha vinda da floresta abaixo. Os doze partiram imediatamente em direção ao pequeno, eu fui voando (minha raça é diferente da do meu senhor, eu possuo um par de assas com plumas negras e pareço com um abutre) e meu senhor caminhou. Avistei um grupo de elfos vindo a cavalo pela estrada, mas os doze logo foram ao encontro deles e rapidamente os exterminaram.

     Pousei e fui em direção ao corpo. Estava morto, mas isso não me importava, pois achei o medalhão pendurado em seu pescoço. Tirei e o levei ao meu senhor, que ficou contente. Agora nós finalmente podíamos cumprir nossa missão. Partimos para as terras geladas. A partir daí a viagem ficou tensa.

     Apressado, enrolei o Tridente e o amuleto em um manto, peguei todas as provisões que ousava carregar, desprendemos os cavalos e deixamos a carroça para traz. Agora íamos todos a cavalo, correndo numa velocidade anormal. Conseguimos atingir a cidade de Hasgarath em quinze dias. O lugar era bem rústico, para nossa sorte o portão estava aberto e ninguém pediu para nos identificarmos. Fazia um frio que conseguiria apagar o fogo do próprio inferno. Meu senhor nos dissera que esta era a última cidade que veríamos, pois depois daqui, só gelo estaria no nosso caminho. Devíamos ser rápidos. Fomos ao mercado mais clandestino da cidade e recarregamos todo nosso estoque de provisões, além de comprarmos cobertores e roupas de inverno. Vendemos os cavalos e compramos uma carroça que seria puxada por grandes e estranhos bovinos. Partimos novamente, dessa vez para o monte Arreat, na Baldaquia. Nós não sabíamos que o pior momento da nossa viagem estava por vir.

     Viajamos por três semanas, ainda havia árvores e vida a nossa volta. Quando avistamos a cordilheira Monshaene, fizemos nossa primeira parada. Um erro fatal.

     No meio da noite, um grupo de cinco homens, altos e robustos, portando grandes machados, nos atacaram. Enquanto os doze travavam uma batalha sangrenta, eu e meu senhor fugimos, deixando a carroça para traz. Corremos a noite toda e alcançamos as montanhas pela manhã. Resolvemos nos abrigar em alguma caverna e esperar sinal de vida dos doze. Algum tempo depois avistamos oito deles vindo na nossa direção. Quando chegaram relataram que “os bárbaros” (chamados assim pelos mortais) sabiam de nossa presença e nosso objetivo, pois enquanto lutavam com eles percebeu que alguns falaram em demônios e algo sobre soltar o mal no mundo. Aquilo foi como uma facada no peito. Decidimos nos apressar e só descansar quando conseguíssemos soltar nosso Mestre.

     Nove dias depois eu não agüentava mais. Os doze, que agora eram oito, pareciam não terem feito nenhum esforço durante esse tempo e o meu senhor estava cansado mas perseverava. Ordenou que um soldado me carregasse e assim prosseguimos. No décimo segundo dia desde que partimos das montanhas, começamos a perceber que estávamos sendo seguidos, mas uma semana se passou e nada aconteceu. Os soldados se revezavam para me carregar, até que no vigésimo terceiro dia, voltei a correr com eles. Passamos mais treze dias assim, quando os ataques começaram a acontecer. Mais de dez homens nos atacaram. Meu senhor prosseguiu e junto dele, eu fui, seguido de mais cinco, deixaram outros três para segurar nossos caçadores. Continuamos e após mais dois messes de corrida pesada, avistamos o monte Arreat. A última surpresa nos esperava ali.

     Os dez homens se encontravam na base da montanha, ali, à nossa espera.Empunharam suas armas e avançaram contra nós. Meu senhor ordenou que eu voasse e soltasse o Mestre enquanto eles impediriam os bárbaros.

     Levantei vôo, mas um deles ainda tentou me acertar arremessando seu machado em minha direção. Senti passar raspando por mim e o vi ficar na rocha à minha frente, foi um belo incentivo a voar mais rápido. Cheguei à metade da subida e resolvi fazer uma parada. Pousei e observei a situação de meus irmãos. Tomei um susto ao ver que um dos humanos subira a montanha e estava me alcançando. Fiquei sem reação ao vê-lo erguer seu machado sobre mim. Quando ele estava para desferir o golpe eu voltei a mim e desviei com um salto para a esquerda. Ele tentou me atingir mais duas vezes e eu me esquivei, mas o quarto golpe me acertou, decepando uma de minhas assas. Tomado de uma imensa fúria, desenrolei o Tridente e parti em direção ao homem acertando-o com a arma e empurrando-o para fora da montanha. Subi o resto do caminho escalando. O ferimento sangrava muito, mas eu tentava esquecer a dor, pois não haveria de desistir tão perto de completar o objetivo. Finalmente encontrei um imenso portal de pedra. Era liso e possuía três buracos. Encaixei o Tridente no portal e rodei. Ouvi um pequeno barulho e a porta se abriu escorregando para a esquerda.

     Entrei na cripta lentamente. Estava escuro e eu não tinha tocha. Sou um dos poucos diabos que não enxergam na escuridão. Conjurei então uma pequena chama e percebi que a escada era longa. Desci e entrei em um cômodo, dei alguns passos e me deparei com uma cena horrível. Tamanha foi minha aflição que a chama se apagou. Comecei a gaguejar implorando pela minha vida, mas não recebi resposta. Estranhei e, tomando coragem, reacendi o fogo. Ri de mim mesmo por tamanha estupidez. Na minha frente estava um grande anjo de pedra ajoelhado em cima de um altar com uma espada fincada no chão. Pensei no motivo para este ser estar ali, no meio do caminho para o túmulo do Mestre. Averigüei o altar e percebi um buraco com uma estranha inscrição embaixo. Minhas pernas tremeram quando percebi o que se passava. O grande Mestre de quem meu senhor tanto falara era um servo da luz. Não era possível. Mas então eu pensei em todo sacrifício que eu e meus irmãos tivemos e então, contra a minha vontade, coloquei o medalhão na fenda. O mundo estremeceu nessa hora. O anjo começou a se mexer e uma intensa luz invadiu o lugar. Ele se pôs de pé e olhou para mim. Seus olhos pareciam estar me atravessando. Juntei minha vontade e lhe disse:

     – Bem vindo ao mundo novamente Mestre das Sombras, eis aqui um servo fiel que veio te libertar.

     Ele desceu do patamar e veio em minha direção. Pegou-me pelo pescoço e me ergueu contra a parede. Foi a primeira vez que eu me arrependi em minha vida.

 

—————————————————————–

 

     O texto acima foi escrito a alguns anos por um grande amigo meu, Dimas Vieira. Apenas digitado por mim. Esses dias ele me concedeu o direito de reproduzí-lo aqui no blog. Quem sabe assim ele não se anima a fazer um segundo capítulo? Ou quem sabe aceita o meu convite de escrever aqui também.

     Valeu Dimas, abração!!